Ontem fui à casa do artista plástico Mauricio Salgueiro, criador da famosa Taça das Bolinhas. O objetivo da pauta era saber o que aquele senhor de 80 anos achava de toda essa repercussão sobre com quem deveria ficar a sua obra, feita em 1975. Em seu ateliê, o protótipo da Taça ganhava destaque. Mas era dificil manter os olhos apenas nela. Havia máquinas que jorravam sangue, outras que marchavam. Seus trabalhos são marcados pelo movimento. Além dessas criações, ainda se via da janela o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar... Diante de tudo isso, uma arte me chamou mais atenção. Um amontoado de panos sujos, com lixos, vestiam um manequim. Era a famosa fantasia da Escola de Samba Beija-Flor, que fez sucesso no carnaval de 1989 com o enredo "Ratos e urubus larguem a minha fantasia". Nesse ano a escola de Nilopolis teve um de seus carros censurados, a imagem do Cristo passou pela avenida embrulhada num saco preto. Ontem, esse mesmo Cristo, uma das sete maravilhas do mundo moderno, amanheceu pixado. Rosto, peito e braços não escaparam. Dessa vez não teve pano preto que o escondesse. Isolado, não teve ninguém que olhasse por ele.
Vamos recordar...
Leba - larô - ô ô ô ô
Ébo - lebará - laiá - laiá - ô
Formou a grande confusão
Qual areia na farofa
É o luxo e a pobreza
No meu mundo de ilusão
Xepá, de lá pra cá xepei
Sou na vida um mendigo
Da folia eu sou rei
Sai do lixo a nobreza
Euforia que consome
Se ficar o rato pega
Se cair urubu come
Vibra meu povo
Embala o corpo
A loucura é geral (é geral)
Larguem minha fantasia, que agonia
Deixem-me mostrar meu Carnaval
Firme... Belo perfil
Alegria e manifestação
Eis a Beija-flor tão linda
Derramando na avenida
Frutos de uma imaginação
Leba - larô - ô ô ô ô
Ébo - lebará - laiá - laiá - ô


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