sábado, 17 de abril de 2010

Ratos e urubus larguem a minha fantasia

Ontem fui à casa do artista plástico Mauricio Salgueiro, criador da famosa Taça das Bolinhas. O objetivo da pauta era saber o que aquele senhor de 80 anos achava de toda essa repercussão sobre com quem deveria ficar a sua obra, feita em 1975. Em seu ateliê, o protótipo da Taça ganhava destaque. Mas era dificil manter os olhos apenas nela. Havia máquinas que jorravam sangue, outras que marchavam. Seus trabalhos são marcados pelo movimento. Além dessas criações, ainda se via da janela o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar... Diante de tudo isso, uma arte me chamou mais atenção. Um amontoado de panos sujos, com lixos, vestiam um manequim. Era a famosa fantasia da Escola de Samba Beija-Flor, que fez sucesso no carnaval de 1989 com o enredo "Ratos e urubus larguem a minha fantasia".  Nesse ano a escola de Nilopolis teve um de seus carros censurados, a imagem do Cristo passou pela avenida embrulhada num saco preto. Ontem, esse mesmo Cristo, uma das sete maravilhas do mundo moderno, amanheceu pixado. Rosto, peito e braços não escaparam.  Dessa vez não teve pano preto que o escondesse. Isolado, não teve ninguém que olhasse por ele.

Vamos recordar...

Leba - larô - ô ô ô ô


Ébo - lebará - laiá - laiá - ô

Reluziu... É ouro ou lata

Formou a grande confusão

Qual areia na farofa

É o luxo e a pobreza

No meu mundo de ilusão

Xepá, de lá pra cá xepei

Sou na vida um mendigo

Da folia eu sou rei



Sai do lixo a nobreza

Euforia que consome

Se ficar o rato pega

Se cair urubu come



Vibra meu povo

Embala o corpo

A loucura é geral (é geral)

Larguem minha fantasia, que agonia

Deixem-me mostrar meu Carnaval



Firme... Belo perfil

Alegria e manifestação

Eis a Beija-flor tão linda

Derramando na avenida

Frutos de uma imaginação


Leba - larô - ô ô ô ô

Ébo - lebará - laiá - laiá - ô

Nenhum comentário:

Postar um comentário