terça-feira, 20 de abril de 2010

A dor de quem não sofreu

No Botafogo não é preciso sofrer para conhecer a dor. Antes da decisão da Taça Rio entrei em contato com Loco Abreu e solicitei uma entrevista caso seu time fosse campeão. A resposta: "Tem que procurar o Leandro Guerreiro, o Alessandro, o Lúcio Flávio. Eles são mais merecedores". O atacante se referiu aos jogadores que amargaram 3 vice-campeonatos. Nomes que se desvencilharam de um passado cruel, repetitivo. Nessa terça o uruguaio resolveu falar. Rejeitou o rótulo de ídolo mesmo depois de marcar o gol do título contra o Flamengo. Coisa de Loco, de quem vestiu a camisa, de quem carrega no peito feridas que não sofreu.

sábado, 17 de abril de 2010

Ratos e urubus larguem a minha fantasia

Ontem fui à casa do artista plástico Mauricio Salgueiro, criador da famosa Taça das Bolinhas. O objetivo da pauta era saber o que aquele senhor de 80 anos achava de toda essa repercussão sobre com quem deveria ficar a sua obra, feita em 1975. Em seu ateliê, o protótipo da Taça ganhava destaque. Mas era dificil manter os olhos apenas nela. Havia máquinas que jorravam sangue, outras que marchavam. Seus trabalhos são marcados pelo movimento. Além dessas criações, ainda se via da janela o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar... Diante de tudo isso, uma arte me chamou mais atenção. Um amontoado de panos sujos, com lixos, vestiam um manequim. Era a famosa fantasia da Escola de Samba Beija-Flor, que fez sucesso no carnaval de 1989 com o enredo "Ratos e urubus larguem a minha fantasia".  Nesse ano a escola de Nilopolis teve um de seus carros censurados, a imagem do Cristo passou pela avenida embrulhada num saco preto. Ontem, esse mesmo Cristo, uma das sete maravilhas do mundo moderno, amanheceu pixado. Rosto, peito e braços não escaparam.  Dessa vez não teve pano preto que o escondesse. Isolado, não teve ninguém que olhasse por ele.

Vamos recordar...

Leba - larô - ô ô ô ô


Ébo - lebará - laiá - laiá - ô

Reluziu... É ouro ou lata

Formou a grande confusão

Qual areia na farofa

É o luxo e a pobreza

No meu mundo de ilusão

Xepá, de lá pra cá xepei

Sou na vida um mendigo

Da folia eu sou rei



Sai do lixo a nobreza

Euforia que consome

Se ficar o rato pega

Se cair urubu come



Vibra meu povo

Embala o corpo

A loucura é geral (é geral)

Larguem minha fantasia, que agonia

Deixem-me mostrar meu Carnaval



Firme... Belo perfil

Alegria e manifestação

Eis a Beija-flor tão linda

Derramando na avenida

Frutos de uma imaginação


Leba - larô - ô ô ô ô

Ébo - lebará - laiá - laiá - ô

quarta-feira, 14 de abril de 2010

TAÇA DE BOLINHAS

Quando a "Taça de Bolinhas" chegar à sala de trofeus do São Paulo, será como um recem nascido roubado na maternidade. Um caso raro, talvez único, de um legítimo carioca registrado como paulista. O curioso é que todos saberão o paradeiro, mas nada poderão fazer. O São Paulo não tomou o filho de ninguém, foi lhe entregue, não deveria ter aceito, pois sabe muito bem o que aconteceu em 1987. Para o pai que teve o filho por cinco vezes nas mãos antes do time do Morumbi, resta esperar o tempo. Quem sabe um dia a Taça de bolinhas conheça seu verdadeiro lar rubro-negro.